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O Paul de Tornada é uma zona húmida, localizada na faixa litoral Oeste do país, na localidade de Tornada, a cerca de 5km de Caldas da Rainha.           
É uma das poucas zonas apaludadas existentes na região, o que faz com que assuma um papel relevante no contexto de conservação das espécies características destes habitats. O Paul possui uma área de cerca de 46 ha, 25 dos quais permanentemente alagados. As suas características permitem incluí-lo pela designação “Zona Húmida”, de acordo com a Convenção de Ramsar. dotado de Flora e Fauna de importância considerável, sobretudo no que respeita às aves, verificando-se também a ocorrência da Lontra e do Cágado-de-carapaça-estriada, espécies ameaçadas em Portugal de acordo com o Livro Vermelho dos vertebrados e protegidos pela convenção de Berna.
Pelas suas características e localização o Paul constitui um local privilegiado para a prática de Educação Ambiental e sensibilização para a conservação das zonas húmidas.
 

Fauna e Flora do Paul

Fauna

Para a avifauna a relevância ecológica do Paul reside no facto de se constituir como um importante ponto de apoio às rotas de migração de algumas espécies, algumas das quais encontram no Paul as condições adequadas para a nidificação e também por sem duvida constituir um local importante para a conservação das aves de caniçal do nosso país.
De destacar como espécies de nidificação temos a Garça-pequena, a Garça-vermelha, o Papa-ratos e o Perna-longa quatro espécies ameaçadas.
De entre as espécies insectívoras estivais assinalamos o Andorinhão-preto, a Andorinha-das-chaminés, a Andorinha-dos-beirais, o Rouxinol-pequeno-dos-caniços e o Rouxinol-grande-dos-caniços.
Durante as migrações algumas espécies de aves usam o Paul apenas por dias para se alimentarem e descansar. Do conjunto de espécies migradoras de passagem salientamos o Pisco-de-peito-azul, por se tratar de uma espécie bastante rara no nosso país, a Felosa-dos-juncos, o Cartaxo-do-norte e a Alvéola-amarela.
Uma espécie prioritária invernante no Paul é a Franga-d’água-grande. Ocasionalmente surgem o Milhafre-preto e o Tartaranhão-dos-paúis. Embora irregularmente ocorrem também o Peneireiro-cinzento, a Coruja-das-torres, o Açor e o Gavião-da-europa.
A expansão de espécies exóticas é também visível no Paul de Tornada entre os quais encontramos o Tecelão-de-cabeça-preta e o Bico-de-lacre, ambas as espécies já nidificantes neste local.
O final do Verão será sem duvida o melhor período para se visitar o Paul, altura em que os níveis de água atingem o seu mínimo facilitando a observação de algumas limícolas à procura de alimento nas lamas expostas.
De grande importância não apenas pelo elenco avifaunístico o Paul de Tornada tem também como habitantes “ilustres” espécies, que outrora comuns, têm vindo a diminuir drasticamente o seu número de efectivos e a sua área de distribuição, vitimas de perseguição e destruição de habitat. A Lontra, com toda a sua graciosidade, e o Cágado-de-carapaça-estriada são bons exemplos desta situação. Também espécies como a Doninha, o Texugo, o Musaranho-de-dentes-vermelhos, o Licranço, o Lagarto-de-água, a Rela, o Cágado-leproso e a Cobra-de-colar procuram no Paúl um ponto de refugio à falta de sensibilização e a todas as atrocidades de que têm sido vitimas.

Flora

Em locais temporariamente alagados, junto às valas, crescem lírios-dos-pântanos  ( Iris pseudacorus) e tabúas (Typha latifolia eTypha angustifolia).
Os terrenos baixos e planos, estão cobertos por caniço (Phragmites australis), excepto em algumas áreas interiores onde a água é mais profunda. A zona permanentemente alagada apresenta algumas áreas de água livre, mais profunda, formando pequenas lagoas no Centro do Paul. As espécies vegetais mais abundantes são o Polygonum amphibium e Ceratophyllum demersum.